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De tempos em tempos, a tecnologia quebra paradigmas e inaugura novos produtos, aplicações e negócios. Embora a impressão 3D, ou manufatura aditiva, não seja uma novidade – as tecnologias já existem desde a década de 80 -, nos últimos anos o crescimento vertiginoso desta indústria gerou uma onda de inovação em diversos setores, como o aeronáutico, automobilístico, médico, educacional e agora, até o da construção civil.

Já são notícias de ontem algumas iniciativas de impressão 3D de residências populares ou temporárias na China (em cerca de 3 horas, uma pequena casa pode ser impressa em concreto) e embora essa seja definitivamente uma área onde a impressão 3D fará a diferença, as tecnologias voltadas para edificações ainda não atingiram um grau de sofisticação suficiente para adoção em larga escala. Ênfase na palavra “ainda”: a indústria está evoluindo de forma muito rápida, inclusive com empresas brasileiras desenvolvendo esta tecnologia.

Tive a oportunidade de visitar recentemente a empresa responsável pelo desenho e projeto da primeira ponte a ser impressa totalmente em 3D no mundo, a MX3D. A startup foi aberta neste ano em Amsterdam, Holanda, e já conta com parceiros de peso para auxiliar o desenvolvimento da tecnologia necessária para o empreendimento.

Essencialmente, a ponte será impressa com uma tecnologia similar a que as impressoras mais difundidas utilizam, a FDM, sigla em inglês para deposição de material fundido. O material, que no caso da ponte é aço carbono, é alimentado em fios para a máquina, que por sua vez, derrete a extremidade do fio ao mesmo tempo em que o robô movimenta-se para criar a forma desejada. Apesar de o método ser simples, traz grandes vantagens na fabricação de componentes únicos e permite desenhos exclusivos, com grande redução de peso e material, dada a possibilidade de customizar a estrutura interna para a resistência mecânica desejada.

A MX3D, como toda pioneira, enfrenta grandes desafios para concretizar o sonho. Em uma conversa com Tim Geurtjens, CTO da MX3D, ele comentou que os maiores desafios estão em criar o modelo 3D da ponte de forma que seja compatível com o software controlador das máquinas (ambos desenvolvidos pela MX3D), e também validar a durabilidade da ponte, que será montada em um dos distritos mais agitados de Amsterdam, o Red Light District.

Como o distrito é frequentado por turistas durante qualquer dia e qualquer hora do dia, a MX3D decidiu por não construir a ponte no próprio local, embora fosse possível, já que as máquinas proprietárias podem ser montadas sobre os trilhos iniciais e trabalharem sem interferências humana, dispensando até o uso de estruturas temporárias, como andaimes, uma vez que a própria ponte serve de apoio conforme a máquina imprime e movimenta-se sozinha. Por razões de segurança, a empresa iniciou a montagem de uma réplica do canal de Oudezijs Archterburgwal dentro do galpão de construção e em seguida transportará a ponte para o local definitivo.

Outro desafio interessante, que nos dá uma pequena noção de como as coisas serão feitas no futuro (próximo), está na criação do modelo 3D da ponte. Em uma parceria com a Autodesk, a MX3D está utilizando e ajudando a desenvolver um software chamado Dreamcatcher, que é parte da divisão de pesquisa da Autodesk. Este software permite que a partir de uma ideia conceitual, a nuvem análise as condições de desenho, materiais e ambiente, e sugira otimizações no desenho inicial. Por baixo do capô, o que realmente acontece é que uma inteligência artificial sofisticada simula milhares de desenhos diferentes a fim de obter as melhores combinações possíveis, apresentando ao projetista as opções que podem ser refinadas para obter o projeto final. O resultado são projetos mais eficientes, que utilizam menos materiais e são mais resistentes e duráveis.

Em linha com desafios que a indústrias de diversos segmentos enfrentam – sustentabilidade, redução de custos e prazos e mudanças na natureza de demanda de clientes – é perceptível o benefício de tecnologias como a da MX3D. Menos materiais, menor impacto ambiental, projetos otimizados através de infinitas possibilidades testadas na nuvem e rapidez de técnicas de construção mais modernas são diferenciais de negócio hoje, mas serão a regra amanhã.

Num futuro próximo, tecnologias como impressão 3D e projetos como o Dreamcatcher da Autodesk beneficiarão indústrias de todos os tipos e mudarão a forma como as coisas são feitas, desde o projeto até a construção. É fácil imaginar partes de uma moto, móveis e até edifícios inteiros sendo completamente repensados em relação à forma e processos de fabricação, onde finalmente, não seremos limitados pelo que é de produzido em massa, e sim, específico para cada indústria, cada projeto, cada aplicação e cada cliente. As portas estão abertas para a personalização do consumo.

 

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