Viajar pelo espaço, conhecer outras culturas e povos mais avançados, navegar à velocidade da luz e poder voltar pra casa na hora do jantar, quem nunca pensou que o nosso futuro seria assim? Muitos de nós, quando pequenos e por vivermos a corrida espacial ao vivo, sempre pensamos que, ao romper do segundo milênio as coisas seriam mais ou menos nessa base. A nossa imaginação transcendeu as fronteiras da galáxia e cultuamos uma até uma guerra nas estrelas, mas esquecemos do principal, cuidar do quintal da nossa própria casa.

Viver em um planeta absolutamente inviável, cheio de poluição e com os povos brigando entre si é a herança que estamos deixando para os nossos filhos e netos, é inadmissível que o homem suje a água que bebe, polua o ar que respira, destrua a terra que lhe fornece o alimento. Qual a melhor saída? Mudar de planeta ou de atitude?

É com essa consciência completamente equivocada do ser humano, mas com uma pitada ecológica dos pobres terráqueos, que surgiu a idéia do filme INTERESTELAR (Warner Bros. Pictures, Paramount Pictures, Legendary Pictures, Syncopy/Lynda Obst Productions) uma produção feita a custos estratosféricos, divulgados US$ 165 milhões, mas acredita-se ter passado a barreira dos US$ 200 milhões, e que tem como grandes chamarizes o diretor inglês Christopher Nolan e o vencedor do Oscar® de melhor ator Matthew McConaughey (Clube de Compras Dallas), para viver uma aventura que, dificilmente estaremos vivos para comprovar.

É um caso muito sério o que acontece com esse filme, primeiro foi cogitado que Steven Spielberg dirigiria o longa, ele desistiu do projeto e passou para o irmão de Nolan, Jonathan que assina o roteiro junto Christopher. Claro que aproveitaram a estupenda repercussão da trilogia de Batman e a surpresa em A Origem para convencer os estúdios que estavam no caminho certo. Será? Bom, eu tenho cá minhas dúvidas, primeiro pelo tamanho (169 minutos) e segundo pela exagerada demora em se entrar no contexto propriamente dito. Isso se chama, em jargão de jornalista, Nariz de Cera, e nesse caso o nariz ficou tão grande que quase derreteu a cera.

A idéia é até simples, com o nosso tempo na Terra chegando ao fim, um time de exploradores é responsável pela missão mais importante da história da humanidade: viajar além desta galáxia para descobrir se a raça humana tem futuro além das estrelas.

Os cenários físicos e de estúdio são sensacionais, a captação feita em dois sistemas (IMAX e 35 mm) ficou a cargo do diretor de fotografia o suíço Hoyte van Hoytema (lembrado pelo singular ELA) dão uma dimensão diferente ao filme. As paisagens dos planetas visitados, uma obra do diretor de arte Nathan Crowley (da trilogia Batman) tem um enorme impacto visual, assim como toda viagem pelo espaço e as diversas situações de dentro e fora das cabines das naves espaciais.

A montagem feita pelo australiano Lee Smith (Batman: O Cavaleiro das Trevas) é simples e objetiva, torna-se cansativa em alguns momentos devido ao desenrolar lento do roteiro, em compensação, quando se trata de cenas de ação a montagem é exemplar.

A trilha sonora do maestro alemão vencedor do Oscar® Hans Zimmer (trilogia Batman, O Rei Leão) é quase imperceptível, delicada e singularmente colocada, a impressão que se tem é que o filme não tem música, mas é um engano, ela está lá alguns decibéis abaixo do normal, apenas para conduzir e não interferir.

O elenco é de primeira linha, além de Matthew McConaughey tem a vencedora do Oscar® Anne Hathaway (Os Miseráveis), a indicada ao Oscar® Jessica Chastain (A Hora Mais Escura), Bill Irwin (O Casamento de Rachel), a vencedora do Oscar® Ellen Burstyn (Alice Não Mora Mais Aqui) e o vencedor do Oscar® Michael Caine (Regras da Vida) e o não creditado Matt Damon (da trilogia Buorne) o que é muito estranho para uma estrela dessa magnitude.

Todos em seus quadrados dão o melhor de suas capacidades de interpretação, mas dá pra sentir um pulso mais fraco na direção, Nolan não impôs a grande vitalidade que exigiu de seus comandados em Batman, O Cavaleiro das Trevas.

As idas e vindas, as brigas, as reconciliações, os momentos de suspense e tensão fazem de INTERESTELAR uma obra única e que não deve aceitar ter continuação, até porque o ciclo se fecha. É um filme para ser visto e revisto, tamanha a quantidade de situações que necessitam de uma releitura, já está em cartaz no Brasil, não é recomendado a menores de 10 anos e, claro, deve ser assistido preferencialmente em salas IMAX.

Na caça a frases interessantes, coisa que faço muito quando vejo um filme, a que marcou foi “um pai não deve ver seus filhos morrerem” dita em um momento chave e emocionalmente forte, e serve de alerta inclusive para aqueles que apenas se preocupam em destruir o planeta que vivemos, afinal, não tenha na cabeça jogar o lixo fora, não existe o fora, existe o aqui, home sweet home.

A gente se encontra na semana que vêm!

 

Beijos & queijos

Eduardo Abbas

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