Machine Head – Bloodstones & Diamonds

A melhor música é aquela que toca seu espírito tanto quanto toca seus ouvidos. Com letra ou sem. Portanto prezo demais pela melodia em uma música. Contudo, depois da minha adolescencia, onde descobri bandas de metal pesado, como Killswitch Engage, Chimaira, Ill Niño, Hatebreed entre outras, percebi que tinha um forte gosto pelo peso também. Portanto, meu estilo de música favorito é o que mescla esses dois extremos: Beleza e Peso.

É a tarefa árdua a de encontrar a tangente entre esses dois mundos tão distintos, entretanto, alguns músicos o conseguem e Machine Head é um ótimo exemplo disso. Apeasar de ter iniciado a carreira como uma banda de Heavy Metal bem minimalista nas composições, a banda evoluiu e os arranjos ficaram mais complexos e, para a nossa alegria, mais melódicos. O album Unto The Locust é um encontro fantástico entre o Heavy Metal e a Música Clássica. Continuando em sua evolução natural, Bloodstones & Diamonds coloca a Música Clássica de lado, entretanto, esta deixa suas marcas, que são agradavelmente visíveis.

Mas vamos por partes. Primeiramente temos a capa do álbum em Now We Die, que apesar de não possuir o mesmo nome do álbum, o mesmo está em uma das estrofes da música. Now We Die é uma excelente abertura com uma pegada bem ao estilo Locust, com adição de violinos em diversos trechos da música, solo com muita cara de música clássica e um interlúdio belíssimo.

Em seguida temos Killers & Kings que veio para mostrar que Machine Head não deixou o peso de lado. Essa faixa traz um interlúdio esmagador que faz qualquer um banguear na cadeira.

Seguindo a sequência temos a Ghosts Will Haunt My Bones, que traz uma melodia mais calma e melancólica com um interlúdio bem pesado demonstrando um excelente trabalho do McClain.

Em seguida temos Night of Long Knives, com um metal bem agitado com mais uma excelente exibição de McClain. A música traz ainda um interlúdio leve para dar um descanso aos ouvidos seguido de um solo já padrão do Machine Head, o que é excelente, e finalizado com um fade out da intro.

Na sequência temos Sail Into the Black. Mais um descanso para os ouvidos. Esta faixa traz uma melodia bem tranquila e calma, se passando metade apenas com a guitarra sem distorção e piano. Na segunda metade ganha força, mas mantendo o ritmo melancólico. De fato, uma faixa belíssima trazendo um pouco de sentimentalismo ao álbum.

Logo após temos Eyes of the Dead. Apesar da introdução bizarra, temos aqui um excelente exemplo de brutalidade música, principalmente em seu final, que é simplesmente de tirar o fôlego.

Após o final brutal de Eyes of the Dead, temos a Beneath The Silt. Não entendi bem o que quiseram fazer nessa faixa. A música está bem fora do padrão deles, mas ainda assim, é uma faixa de qualidade inegável.

Machine Head - Banda

Agora temos In Comes the Flood. Mais uma música com elementos de música clássica, trazendo além de violinos, um coro para fazer par com Flynn. A música faz uma crítica ao capitalismo, mas não como um todo, e sim o lado negativo, que gera a desigualdade social. A influência de música clássica, mesmo nas guitarras, é gritante e mostra que pode fazer um clima épico aparecer em qualquer situação. Sem dúvidas um dos destaques do álbum.

Em seguida temos a belíssima Damage Inside, que é totalmente leve e melancólica, fazendo mais uma pausa para os ouvidos já preparando o grand finale.

Após a pausa temos a fantástica Game Over, a estrela do álbum (em minha humilde opinião). Aqui temos uma mescla perfeita de leve e pesado. Uma intro que deixa você na expectativa e que não decepciona depois. Estrofes com vocal rápido no estilo Machine Head, refrão com uma pegada punk para agitar um pouco, um solo equilibrado com um interlúdio cheio de rancor e raiva.

Após temos mais uma pausa na faixa instrumental “comentada” Imaginal Cells. Juro que levei tempo para entender o conteúdo e aprendi conceitos novos, tanto de biologia quanto de sociologia. Enfim, é uma ótima faixa para discutir com os amigos nerds.

Por fim temos a Take me Through The Fire. Na minha opinião, uma música filler (aquelas que são postas para encher o álbum, mas sem muito a adicionar). A música possui uma inegável qualidade, entretanto, nenhum aspecto ou momento que chame atenção e a torne viciante.
Machine Head - Capa do AlbumBloodstones & Diamonds é o oitavo álbum da banda americana que já tem sua marca de qualidade. Neste novo trabalho, Machine Head teve a maçante missão de, pelo menos, igualar ao álbum anterior, Unto The Locust, álbum de 2011 que criou um padrão de qualidade altíssimo para a banda, e não fez feio. Trouxe uma temática bem centrada em problemas político-sociais e músicas bem variadas que não deixam aquela sensação de “eu já ouvi essa música em algum lugar”. Sem dúvidas um excelente álbum para se ter na PlayList.

Texto By Miguel Ferreira