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Quando será que o bicho homem vai se relacionar como gente com outros seres humanos? Mesmo tendo o dom da palavra, por que elas nem sempre são ouvidas nem entendidas? Entre pais e filhos a coisa ainda é pior, vivemos nosso tempo procurando defeitos e achando que tudo poderia ser diferente, afinal, não é a grama do vizinho que é mais verde?

Com um roteiro muito bem amarrado em seus diálogos, feito por Nick Schenk (que também assina o ótimo Gran Torino), estréia nessa quinta-feira nos cinemas brasileiros uma das melhores produções que trata desses conflitos interpessoais sob uma ótica geral, não toma partido de ninguém, é você olhando o jardim da casa ao lado. Em O Juiz (Village Roadshow Pictures, Big Kid Pictures/Team Downey, Warner Bros. Pictures), uma produção de US$ 50.000.000 e que já ocupa a terceira colocação nas bilheterias americanas, vamos encontrar um Robert Downey Jr. mais ator e menos herói.

Com um elenco de primeira linha, capitaneado por ele, o vencedor do Oscar® Robert Duvall por A Força do Carinho, dando uma aula de interpretação do alto de seus 83 anos, a enigmática Vera Farmiga (que atualmente faz sucesso na série de TV Bates Motel), o sempre sensível Vincent D’Onofrio (da série de TV Law & Order: Criminal Intent), o também vencedor do Oscar® Billy Bob Thornton por Na Corda Bamba, entre outros atores e atrizes, transformam esse enredo dirigido com muita competência por David Dobkin (conhecido pela comédia Penetras Bons de Bico) em uma forma mais humana de se resolver a guerra em família.

No filme, Downey é o advogado de sucesso Hank Palmer, que após se distanciar de sua família retorna para a casa na qual nasceu e reencontra seu pai (Duvall), o enérgico juiz da cidade e também suspeito de um assassinato. Ele decide descobrir a verdade e no processo se reconecta com a família e a vida que havia deixado para trás há anos. Não é um thriller nem é um filme piegas, é sério e profundo, traz a tona todos os sentimentos e ressentimentos outrora escondidos.

Com uma cinematografia preocupada com os detalhes, em mais uma obra espetacular do polonês vencedor do Oscar® Janusz Kaminski (A Lista de Schindler, O Resgate do Soldado Ryan) a história é contada com muito cuidado e sensibilidade, as voltas ao passado são sempre em textura Super 8 e a valorização dos grandes cenários físicos demonstram uma riqueza na bem cuidada produção.

O Juiz é daqueles filmes para levar pra casa depois da sessão, é obrigatório para quem gosta de teatro no cinema, tem interpretações fortes, comoventes e até engraçadas, as gags inseridas no contexto fazem a gente pensar se não seria melhor passar a vida sorrindo ao invés de brigando. Talvez seja essa a grande lição que deveríamos aprender, com os animais.

A gente se encontra na semana que vêm!

Beijos & queijos

Texto: Eduardo Abbas

Fotos: Warner Bros.

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