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Nos tempos da chamada “TV à Lenha”, os sucessos do cinema demoravam anos para serem exibidos na telinha de casa. As coisas não eram tão simples como são hoje, o filme primeiro tinha que se esgotar em todos os cinemas do mundo, esperar alguns anos para se certificar que ninguém mais queria passar no cinema, e aí sim, eram criados pacotes pelas distribuidoras que incluíam esses sucessos junto com alguns filmes B, com séries, desenhos e mais um monte de coadjuvantes. A emissora que comprasse o pacote do filme X tinha, além de criar uma estratégia para divulgar e garantir o retorno do investimento, mandar dublar tudo que havia no pacote, encaixar na programação e finalmente colocar no ar.

Foi em uma dessas “montagens de pacotes” que surgiu na TV Globo, nos anos 70 a primeira versão da série de longa metragem PLANETA DOS MACACOS. Os 5 filmes, produzidos entre 1968 e 1973, inspiraram alguns humoristas no Brasil a criar o programa PLANETA DOS HOMENS, que foi ao ar de março de 1976 a janeiro de 1982. Era uma sátira aos acontecimentos semanais da política, esporte e temas diversos, sempre tendo como contraponto a versão do macaco, politicamente correta, em que o gancho era: O MACACO ESTÁ CERTO!

Claro que assistindo ao terceiro filme da saga feito no século XXI, não pude me esquecer da afirmação feita no programa de televisão, que agora, para mim, virou pergunta. Não vou falar em comparação, pois seria impossível, na verdade somente a essência da estória existe, a realização da nova versão é infinitamente superior que sua antecessora, principalmente no que diz respeito à tecnologia que aboliu as máscaras e colocou sensores nos atores.

O diretor Matt Reeves, que é da turma do J.J. Abrams, uma molecada de classe média americana que cursou faculdade sem ter que correr muito atrás do pão nem da condução, assina Planeta dos Macacos: O Confronto (Chernin Entertainment, FOX) uma nova visão, mais preocupada com sentimentos que com guerras, apesar das cenas de lutas serem feitas com muita competência.

No filme, a crescente comunidade de primatas geneticamente evoluídos, liderados por Cesar (excelentemente interpretado pelo inglês Andy Serkis, o mais competente ator na técnica que captação de movimentos e expressões faciais, que já foi o Gollum e King Kong), quando os primatas entram em contato com humanos sobreviventes pela primeira vez, em uma década, desde que a gripe símia dizimou a raça humana (aqui uma mudança no original, o fim dos homens era devido a uma guerra nuclear total). O contato entre eles leva a um conflito e uma série de eventos que ameaça levar as duas raças à guerra que determinará qual espécie irá dominar a Terra.

No filme ainda tem Gary Oldman, Jason Clarke, Kodi Smit-McPhee, Keri Russell e Judy Greer, vivendo como homens e macacos, num roteiro até certo ponto confuso, feito pelos escritores Rick Jaffa, Amanda Silver, Scott Z. Burns e Mark Bomback, impondo certas condições exageradamente humanas ao macaco Cesar e animalescas ao extremo ao humano Dreyfus (Oldman), talvez numa tentativa de colocar um no lugar do outro, que acaba numa sanguinária guerra entre homens e primatas.

Mesmo com essa veia política, o filme agrada muito a quem gosta de realizações primorosas e cheias dos mais espetaculares e novíssimos efeitos especiais, aqueles que passam quase despercebidos na exibição. É um trabalho sensacional feito pela Weta Digital, empresa Neo-Zelandesa que se especializou nesse tipo de criação visual, transformar seres humanos em qualquer outro tipo de criatura (casos do Sonny em Eu, robô, Gollum na trilogia do Senhor dos Anéis, o Surfista Prateado e o Coisa em Quarteto Fantástico, etc.) e que fez jus a parte dos US$ 170.000.000 do orçamento do filme.

A outra parte muito bem gasta foi na edição e na fantástica trilha musical. A montagem feita por William Hoy e Stan Salfas tem o ritmo da narrativa semelhante a filmes épicos, sem muita pressa em pontos de entendimento do enredo e passagens de tempo, mas com um ritmo alucinante em eventos de lutas e corridas desenfreadas. O grande detalhe é deixar a sua imaginação completar a cena, mesmo quando alguém é alvejado não existe a necessidade de se mostrar todos os tiros de frente, basta uma ação e uma reação e fim. Já a trilha sonora feita por Michael Giacchino (que venceu o Oscar® por UP, Altas Aventuras) tem sua assinatura inconfundível, é leve, sóbria, não avança sobre a ação e marca delicadamente o que realmente deve ser levado em consideração.

Por tudo isso e muito mais, assistir ao Planeta dos Macacos: O Confronto se torna uma verdadeira obrigação. Em pouco mais de um mês em cartaz nos Estado Unidos, já faturou US$ 260.000.000 e é uma das maiores bilheterias do ano e sim, respondendo à pergunta do título, o macaco esta certíssimo.

A gente se encontra na semana que vem!

Beijos & queijos

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