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O maior flagelo do século 20, a segunda guerra mundial, com suas barbáries e falta de senso humanitário, inspiraram o jovem romancista australiano Markus Zusak a escrever, baseado nas histórias que ouviu de sua mãe alemã e de seu pai austríaco, o best-seller The Book Thief. Foi com base nessa encantadora obra literária que surgiu nas telas e vai estrear no Brasil na sexta-feira, um dos filmes mais emocionantes que foram produzidos nos últimos anos.

                        Não é à toa que A Menina que Roubava Livros (Studio Babelsberg, Fox 2000 Pictures, Sunswept Entertainment, Fox) vai fazer muito marmanjo chorar e muita donzela repensar na vida, mas vale cada minuto que invade nossas mentes e mexe com nossos sentimentos mais profundos.

                        É um lado oposto ao que estamos acostumados a ver em relatos sobre a segunda guerra mundial, os olhos agora são dos alemães humildes, aqueles que viviam em vilarejos onde a informação era produto muito raro e de difícil acesso, mais até que a pouca comida que se tinha para sobreviver. Esses homens e mulheres foram duramente manipulados pelos seguidores do terceiro reich, a soberania germânica sobre o mundo era cantada em prosa e verso, assim como o ódio anti-semita que aqueles dias negros impuseram aos judeus e outros povos que não faziam parte da raça ariana.

                        Ele conta a história de Liesel (magistralmente interpretada pela canadense Sophie Nélisse), uma garotinha extraordinária e corajosa, que foi viver com uma família adotiva durante a segunda guerra mundial, na Alemanha. Ela aprende a ler, encorajada por sua nova família. Seu pai adotivo é o sensacional ator australiano Geoffrey Rush, que tem no currículo O Discurso do Rei e o impagável Hector Barbossa de Piratas do Caribe, num papel sublime e seguro, apoiado pela excelente Emily Watson, uma atriz inglesa que se salvou do desastre Cavalo de Guerra, e faz o papel da mãe mal-humorada e de atitudes rudes, mas se revela na parte final do filme quem realmente ela era. No elenco tem também Max (interpretado pelo jovem ator americano Ben Schnetzer), um refugiado judeu, que eles escondem embaixo da escada. Para Liesel e Max, o poder das palavras e da imaginação se torna a única escapatória do caos que está acontecendo em volta deles.

                        O filme tem vários destaques positivos. Um deles é a espetacular interpretação de Rudy Steiner feita pelo jovem ator alemão Nico Liersch, elogiado até pelo autor do livro, que disse ser verdadeiramente ele o Rudy que havia escrito. Outro é a fotografia feita pelo alemão Florian Ballhaus que tem no currículo filmes como Red: Aposentados e Perigosos, O Diabo Veste Prada, entre outros. O destaque mais importante é a trilha sonora assinada por John Willians, indicado ao Oscar pela excepcional e singela musica que conta a história, esse senhor dispensa apresentação.

                        O destaque negativo é a direção. Os atores se superaram e tiveram uma quase atuação solitária pela falta de pulso do diretor Brian Percival, um britânico que esteve mais ligado à televisão do que ao cinema. Faltou uma maior ação dele em momentos chave do filme, em cenas que deveriam exigir mais drama e menos interpretação de texto, a imagem fala por si, tem momentos que não é necessário se falar nada, mas, como estava dirigindo para um grande estúdio, com a repercussão do livro, ele optou por seguir o roteiro, e talvez isso tenha custado ao filme apenas uma indicação ao Oscar. É uma pena, mas as ações da academia têm suas lógicas e razões.

                        A Menina Que Roubava Livros é uma história sobre a capacidade de sobrevivência e resistência do espírito humano, é sobre a vontade de se viver e acreditar em seus princípios e amar sempre ao próximo. É um filme imperdível, necessário, bonito e que faz com que coloquemos pra fora tudo aquilo que realmente somos: Seres humanos.

A gente se encontra na semana que vem!

Beijos & queijos

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